Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011

Más ideias boas histórias.

Também nas bicicletas quanto maior é a nau maior maior é a tormenta, dois meses depois do PBP e o andar de bicicleta, treinar como agora se diz, divide-se no antes PBP e no depois PBP.

A obsessão de pedalar os 1200 kms e de fazer todo o caminho das pedras, fazer a festa, lançar os foguetes a apanhar as canas é desgastante, pouco recomendável e muito satisfatório para além de andar de bicicleta, afinal pedalar acaba por ser a parte mais irrelevante do processo. Comecei o caminho em 2008 sozinho e 4 anos depois fazia a festa com mais uns amigos que encontrei pelo caminho. Bom!

No caminho o que mais me acabou para atrair na mística dos randonneurs é possibilidade não competir e ainda assim propor-me a fazer algo… digamos… que pouco comum e satisfatório, requer alguma determinação, planeamento, uma boa dose de sorte, alguma tolerância ao risco e tempo.

Sorte porque sinto que cada que me dedico a estas distâncias virtuais perco uma vida e como não sei se tenho 7, é bom reflectir e pensar se o santo gral vale o risco, acho que já por aqui devo ter escrito, que isto não faz bem à saúde, pelo que não há-de ser por aqui alguém vai ficar convencido como é espectacular pedalar 1200 kms.

Uma das reflexões que tenho feito é tentar descobrir qual é a minha distância, não sei se a descobri mas descobri uma distância partir da qual é melhor ser compulsivamente internado.

Conheci muita gente parecida e gente muito diferente que pedala 1200 kms como se fosse comprar pão… gente estranha. O que diferencia todos estes seres …. os dos 200, dos 400, dos 600, dos 1200 ou mesmo dos 5000 kms é apenas um aspecto “o nível de respeito que se tem pelos limites do corpo e mente”… não tem nada a ver com treino, ou andar de bicicleta como se dizia antigamente.

Depois temos a categoria mais perigosa de todas, aqueles que acham que não temos limites. Pedalei com um moço que faz a RAAM em 9 dias a solo e pareceu-me um tipo normal. Será? Tenho as minhas dúvidas. Com uma moça que 3 dias depois de ter feito o PBP foi até Londres e fez um pequeno triatlo que consistia em correr até ao canal da mancha, nada-lo e pedalar da costa francesa até Paris.

O moral da história é que os limites do corpo e da mente dependem da imaginação humana e a diferença entre “uma má ideia” e “algo” é fazer qualquer coisa com a ideia… e há nesse mundo fora gente muito concretizadora!

Cardiologistas, ortopedistas… e outras gentes “aoborrecidas” poderão não concordar exactamente epílogo.

Domingo, 16 de Outubro de 2011

Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

Uma comparação interessante...

O Randonnneur mais rápido do PBP, o meu PBP e o último randonneur a entrar nas 90 horas.... heterogeneidade!

Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

O melhor do meu Paris Brest Paris 2011 foi:



Regressar a casa inteiro com saúde e contente!


É uma conclusão um pouco piegas mas realmente o sentimento de regressar é muito melhor do que o de abalar.
Depois de conseguir pedalar 1200 kms há um sentimento de contentamento silencioso que me tem vindo a acompanhar, não é uma euforia, mas apenas o sentimento de ter consigo com sucesso levado a cabo um projecto que se iniciou em 2008 com o Portugal na Vertical, e que pelo meio foi ganhando formas e contornos que inicialmente nunca esperei, do qual os Randonneurs Portugal são talvez o mais significativo.
Hoje enquanto falava com alguns amigos percebi que tinha de escrever algo sobre o meu PBP, coisa que para quem passa os olhos por este blog sabe que é rara, relatos na 1ª pessoa não são uma uma especialidade, mas o PBP é diferente e merece ½ excepção.

  • Pedalar num pelotão de centenas de ciclistas em que sei que todos fizeram pelo ” menos” 600 kms é realmente uma sensação diferente e apende-se muito a observar. Ter olho vivo realmente permite regressar com mais conhecimento do que quanto se chega. O conhecimento é o que nos permite chegar mas além... pois o Vo2max é sempre a diminuir..
  • Sempre tive a noção de que saber, ou no mínimo ter um espírito curioso relativamente ao treino, à nutrição, à mecânica das bicicletas, ao bike fit, à fisiologia e à psicologia desportiva ajudava muito nestas aventuras da longa distância. Agora tenho a certeza de que este aspecto faz toda a diferença e permite não só sobreviver como ainda ajudar outros em dificuldade.
  • Pedalar sozinho – No PBP há uma entreajuda entre a esmagadora maioria dos participantes, não é uma corrida, quem quer fazer corridas e ciclismo de competição de longa distância tem muitos outros eventos e isso percebe-se. Ninguém fica na borda da estrada com um problema mecânico por resolver, isto não significa que não se ande rápido, apenas significa que a esmagadora dos randonneurs não são idiotas e que percebem que existem outras formas de andar de bicicleta que não seja a de desejar o pior para quem nos acompanha. Esta solidariedade não significa que se tenha companhia, no meu caso pedalei os 600 kms de Brest a Paris sozinho, o que não me impediu de parar 2 vezes. Uma para ajudar um randonneur de Taiwan que pedalava em grande sofrimento, e lá estive a mudar as cleats e a posição do selim do moço e uma 2 vez para dar umas pilhas a um alemão cuja luz que se tinha apagado. Não os voltei a rever mas espero sinceramente que tenham acabado o PBP.
  • Heterogeneidade – Esta é a palavra que melhor define a minha visão do PBP. Velhos e novos, magros e gordos, homens e mulheres, bicicletas de 15000€ e de 200€, tandens, recumbents ou laybacks, randonneurs com planos absolutamente inflexíveis como o meu em que sabia sempre a minha média real, quantas horas de descanso dispunha e o que ia comer nos PC e abordagens absolutamente descontraídas, dormindo e parando, mais ou menos ou calhava.
  • Participantes – O choque cultural é inevitável, alguns, muitos dos participantes que vi em Paris pelos standards “ciclísticos lusos" não teriam credibilidade para pedalar 50 kms quanto mais 1200 kms, encontrei participantes com excesso de peso, obesos mesmo e passados 600 kms lá estavam em Brest…. Foi a constatação de que as aparências iludem e que o estereótipo do ciclista lingrinhas que pesa 60 kgs que conta as Kcal ao almoço não domina neste mundo da longa distância... Portanto há esperança despontarem muitos randonneurs com uns kgs a mais.
  • As paragens – “PBP is a very easy brevet, just do not stop at the controls”. Este senhor não me enganou, de tudo o li acerca da estratégia para pedalar o PBP este foi o único “conselho” que me acompanhou durante muitos kms. O meu tempo médio de paragens nos PC entre o momento de chegada e saída foram 30’, embora não me seja muito difícil despachar-me reconheço que paragens longas podem transformar o PBP num pesadelo, sem possibilidade de dormir.
  • Dormir – Neste PBP morreu um Randonneurs dos EUA, embora não se saiba oficialmente quais as causas do acidente, especulasse que tenha sido resultado de cansaço extremo resultante da privação do sono. Ter um plano para descansar é essencial, fundamental para se fazer um PBP sem correr riscos desnecessários. A escolha da hora de saída e ter noção da média que realisticamente se consegue fazer permite dormir. Um PBP sem dormir, é na minha opinião uma acto de violência contra o nosso bem estar, que não me faz sentido nenhum. A decisão de participar tem de ter na equação se a nossa velocidade nos permite dormir ou não, participar sabendo que não se vai conseguir dormir é no mínimo arriscado. No meu PBP dormi 2 X 6 horas tendo ainda a hipótese de na 3ª noite, a que cheguei a Paris, de dormir mais 8 horas, ou seja fiz o PBP dormindo “de noite” entre as 00:00 seis da manhã.

Para quem pondere algum dia fazer um PBP... (nem acredito que estou a escrever isto…) – Ouvir com atenção todos os “conselhos” que os “PBP anciens mandam para o ar” para ter a certeza de que não estamos a seguir nenhum! Não há conselho que nos valha se não tivermos criado a nossa esfera individual de confiança e conhecimento para encarar de frente, por vezes de esguelha, 1200 kms a pedalar....

Ps: Na Bretanha chove em Agosto, e muito, o suficiente para se ir de Paris a Brest à chuva!

Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011

Dados do PBP

Olhei hoje pela 1ª vez para os dados que o ACP fornecia da passagem dos Randonneurs pelos PC.
Fico contente com o meu PBP, conseguindo manter uma média uniforme com a excepção da saída para Villanes-La-Juhel e da chegada a Dreux. Foi bom e de acordo com o plano... ainda mais rápido do que era a minha ideia inicial. Viva o Excel e quem me ajudou  a pensar esta aventura.
1000 desistências, é estranho, um número tão elevado não tinha ficado com esta ideia, mas o caminho foi longo...

Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

De regresso a Paris

Umas horas, muitas, estou de regresso a Paris.
E voilá o PARIS BREST PARIS està concluído.
Muito obrigado pelas mensagens.

Bonne route a tous.

Sábado, 20 de Agosto de 2011

A vida de randonneur á espera do PBP

Uma das curiosidades que tinha era perceber como seria a fauna dos participantes num brevet de 1200 kms e...
1 A diversidade é incrível, velhos, novos, gordos e magros. Bicicletas de carbono, aço ou Titanio e todo um tipo de special bikes incrível, Lay baks, recumbents...
2 Uma cidade invadida por super randonneurs onde qualquer ciclista que passa tem algo de diferente do que acabou de passar... E passam muitos aqui na "minha rua".
3 Ainda não percebi como é algumas personagens pedalam
1200 kms, mas uma coisa é certa as aparências iludem.
3 Afinal ainda há algum carinho internacional pelos potugueses talvez pelo facto de sermos "pequenos", o certo é que desde americanos a malaios Passando pelos nossos amigos do brasil tenho tido boa recepção e muita curiosidade.
4 Vou dormir que amanha é o meu Bike check e as 5 da manha de segunda estão perto.

Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

O meu progresso no Paris Brest Paris

Alguns amigos têm-me perguntado como poderão seguir o meu progresso no Paris Brest Paris.

Aqui fica:
  • Saída: Dia 22 de Agosto (próxima 2ª Feira) às 4:00 AM (hora PT)
  • Limite de chegada: dia 25 de Agosto (5ª Feira) às 04:00 PM (hora PT)

O progresso pode ser seguido:
  1. No site do PBP em Riders Tracking PBP (only at control points).   
  2. Introduzindo o meu frame number que é o 8471.
Aqui no blog, não prometo, por razões óbvias mas vou tentar quando parar colocar um ponto no mapa acima!

Allez et bonne route! 


6 dias....para o PBP

e uma logistica diabólica.... para acabar

Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011

Des "conselhos" para o PBP

Para randonneurs massaricos como eu, um aspecto importante da minha longa preparação para o Paris Brest Paris 2011 tem sido encontrar gente com mais experiência e que saiba mais (onde é que eu já ouvi isto antes).

Um aspecto engraçado é a facilidade com que os "PBP anciens" contam historias. As histórias individuais de outros PBP, com ou sem sucesso... e claro cada um tem a sua receita ou seus conselhos para dar, para partilhar. 
Aprende-se sempre algo mas é importante ter noção que o caminho para o PBP ensina-nos sempre "qualquer coisa" e é com essa "qualquer coisa" que lá se vai, pelo que é importante confiar na nossas capacidades e ter noção das nossas incapacidades.

"Bike geaks" - Uma tendência fácil é a sobrevalorização da bicicleta, do equipamento e de tudo quanto é "locus externos". 
1200 kms são resmas de kms. Garantindo, pneus, câmaras de ar e corrente novas assim como parafusos apertados, o nosso corpo acabará por se gastar antes do material. 
Claro que as mudanças vão começar a trabalhar mal, os travões a travar menos, mas globalmente a bicicleta ainda "apontará" para onde a mandamos, desde que haja vontade e capacidade para a apontar para algum lado.
Não se conseguem eliminar todas as possibilidade de falhas mecânicas.Em última análise é preciso ter alguma sorte.

Arranjar companhia - Um problema nesta distância é encontrar um pequeno grupo com quem seguir pedalando calma e objectivamente para o destino. Tendencialmente nos grupos organizados os "outsiders" não bem vistos pelo que é preciso ter paciência, ainda assim é importante encontrar alguma companhia de ocasião mesmo para quem goste de andar sozinho como é o meu caso. Com sorte haverá mais randonneurs nesta situação e as dificuldades acabam por unir as vontades.

Stop and Go - O PBP são 1200 kms para pedalar. Quando se está parado está-se a andar para traz. Parado é para descansar ou comer. O cicloturismo faz-se a pedalar.
O controlo apertado dos tempos de paragem é o factor que mais influência a média real. No PBP dorme-se quando se está com muito sono e come-se sempre que se consegue. De resto pedala-se, pedala-se e pedala-se.
Quanto tempo se dorme? O suficiente para continuar a pedalar.. a receita é simples mas os "ingredientes são preparados ao longo do caminho para o PBP".

Sorte - Para não me aleijar, para não cair, para encontrar um grupo confortável, para não partir nada na bicicleta, para a viagem até SQY, para não me perder e me entender com o GPS, para ter momentos de ânimo para regressar de Brest para Paris, para correr tudo bem com quem vai estar comigo nos postos de controlo, para o amigo "shermer´s neck" não vir ter comigo e sorte para não me lesionar gravemente.

50% + 30% + 20% -  50% de experiência em BRM de 1000 ou 1200 kms que não tenho, e se "calhar" deveria ter + 30% de preparação fisica, fiz o consegui com base no que fui aprendendo ao longo dos anos + 20% sorte era importante que esta estrelinha fosse comigo.


PS: Este post deve ser um dos derradeiros da Dinâmica do Pedal.

O blogue cumpriu o objectivo ao me acompanhar no caminho para o Paris-Brest-Paris 2011. 
Agora que o caminho chega ao fim, fico contente por este blogue me ter ajudado a cumpriu o objectivo,o caminho, que se iniciou em 2008 quando pela 1ª vez me passou pela cabeça ir ao PBP  Parece que foi ontem.
Permitiu-me aprender e perceber que o corpo humano é uma "máquina" espectacular e encontrar "e-amigos" no ciberespaço que de outra forma me teriam passado ao lado.

Pesquisar Post na Dinâmica do Pedal